Os Saduceus
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Nome de um
partido oposto à seita dos fariseus. Compunha-se de um número
comparativamente reduzido de homens educados, ricos e de boa posição
social. A julgar pela sua ortografia, a palavra saduceu deriva-se de
Zadoque, que em grego se escrevia Sadouk. Dizem os rabinos que o
partido tirou o nome de Zadok, seu fundador, que viveu pelo ano
300 A. C. Porém, compondo-se este partido de elementos da alta
aristocracia sacerdotal, crê-se geralmente que o nome Zadoque se refere
ao sacerdote de igual nome que oficiava no reinado de Davi, e em cuja
família se perpetuou a linha sacerdotal até a confusão política na época
dos Macabeus. Os descendentes deste Zadoque tinham o nome de zadoquitas
ou saduceus.
Em
oposição aos fariseus, acérrimos defensores das tradições dos antigos,
os saduceus limitavam o seu credo às doutrinas que encontravam no texto
sagrado. Sustentavam que só a palavra da lei escrita os obrigava,
defendiam o direito do juizo privado na interpretação da lei; cingiam-se
à letra das escrituras mesmo nos casos mais severos da administração da
justiça. Distinguiam-se dos fariseus nos seguintes pontos (1) Negavam a
ressurreição e juízo futuro, afirmavam que a alma morre
com o corpo Mt 22. 23-33; At 23. 8; (2) Negavam a existência dos anjos e
dos espíritos, At 23. 8; (3) Negavam o fatalismo em defesa do livre
arbítrio, ensinando que todas as nossas ações estão sujeitas ao poder da
vontade, de modo que nós somos a causa dos atos bons; que os males que
sofremos resultam de nossa própria insensatez, e que Deus não intervém
nos atos de nossa vida, quer sejam bons, quer não. Negavam a
imortalidade e a ressurreição, baseando-se na ausência destas doutrinas
na lei mosaica, não defendiam a fé patriarcal na existência do sheol,
não só por não se achar bem defendida, como por não conter os germes das
doutrinas bíblicas acerca da ressurreição do corpo e das recompensas
futuras. Não se pode negar que os patriarcas criam na existência futura
da alma além da morte. Negando a existência da alma e dos espíritos, os
saduceus entravam em conflito com a angelogia do Judaísmo elaborada no
seu tempo, e ainda iam ao outro extremo: não se submetiam ao ensino da
lei, Ex 3.2; 14.19. A principio, provavelmente, davam relevo à doutrina
a respeito da Interferência divina nas ações humanas, punindo-as
ou recompensando-as neste mundo, de acordo com seu caráter moral. Se
realmente ensinavam, como afirma Josefo, que Deus não intervém em nossos
atos, bons ou maus, repudiavam os ensinos claros da lei de Moisés em que
professavam crer, Gn 3. 17;
4.7;
6.5-7. É
possível que começassem negando as doutrinas expressamente ensinadas na
letra da Escritura. E, rendendo-se à influência da filosofia grega,
adotaram os princípio, aristotélicos, recusando-se a aceitar qualquer
doutrina que não pudesse ser provada pela razão pura.
Quanto à
origem e desenvolvimento dos saduceus, Schurer é de parecer que a casa
sacerdotal de Zadoque, que estava à testa dos negócios da Judéia no
quarto e terceiro século A. C. quando sob o domínio persa e grego,
começou, talvez inconscientemente, a colocar a política acima das
considerações religiosas. No tempo de Esdras e de Neemias, a família do
sumo sacerdote era mundana e inclinada a consentir na junção de judeus
com os gentios. No tempo de Antíoco Epifanes, grande número de
sacerdotes amava a cultura grega, entre eles contavam-se os sumos
sacerdotes Jasom, Menelau e Alcimus. O povo postou-se ao lado dos
Macabeus para defender a pureza da religião de Israel. Quando este
partido triunfou, os Macabeus tomaram conta do sacerdócio e obrigaram os
zadoquitas a se retirarem para as fileiras da política, onde continuaram
a desprezar os costumes e as tradições dos antigos e a favorecer a
cultura e a civilização grega. João Hircano, Aristóbulo e Alexandre
Janeu, 135-78 A. C. deram apoio aos saduceus, de modo que a direção dos
negócios políticos estava. em grande parte em suas mãos, durante o
domínio dos romanos e de Herodes, visto serem os sacerdotes deste
período, membros da seita doa saduceus, At 5. 17. Os saduceus, e assim
mesmo os fariseus, que iam ao encontro de João Batista no deserto, foram
por ele denominados raça de víboras, Mt 3. 7. Unidos aos fariseus,
pediram a Jesus que lhes fizesse ver algum prodígio do céu, Mt 16. 1-4.
Contra estas duas seitas, Jesus preveniu a seus discípulos. Os saduceus
tentaram a Jesus, propondo-lhe um problema a respeito da
ressurreição. A resposta de Jesus reduziu-os ao silêncio. Ligaram-se com
os sacerdotes e com o magistrado do templo para perseguirem a Pedro e a
João, At 4.1-22. Tanto os fariseus como os saduceus achavam-se no
sinédrio, quando acusavam a Paulo, que, aproveitando-se das suas
divergências de doutrina, habilmente os atirou uns contra os outros.
Fonte: Dic.
da Bíblia John Davis
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sexta-feira, 15 de junho de 2012
SADUCEUS
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