quinta-feira, 7 de agosto de 2014
A verdadeira origem do conflito entre Israel e Palestina
ANÁLISE DO CONFLITO ENTRE JUDEUS E PALESTINOS -
Pr. Anísio Renato de Andrade
Nestes últimos dias, o mundo tem assistido aos sangrentos combates entre judeus e palestinos na Faixa de Gaza, cujo saldo de mortos já passa dos 1600.
Os fatos são chocantes, principalmente quando envolvem a morte de crianças. A tendência das pessoas é tomar partido e isso acontece em função das informações que chegam, muitas vezes contaminadas por suas fontes e canais.
Assim, muitos formam opiniões com bases superficiais. Para um posicionamento mais consistente precisamos conhecer as causas do conflito. Por quê judeus e palestinos não conseguem viver em paz?
As notícias que lemos nos jornais de hoje mostram a continuação da história bíblica. Portanto, para compreendermos o momento atual, precisamos voltar bem lá atrás, ao livro de Gênesis.
Deus chamou Abrão (Gn.12.1) e lhe prometeu uma terra (Gn.13.17) chamada Canaã (que muitos séculos depois seria denominada Palestina) e adjacências, cuja extensão longitudinal iria da fronteira do Egito até o rio Eufrates (Gn.15.18), um território muito maior do que aquele que Israel ocupa atualmente.
A promessa de Deus é o poder divino em forma de palavras, o qual atravessa os tempos sem que nada possa detê-lo.
A posse da terra é o motivo do atual conflito entre judeus e palestinos, mas continuemos nossa retrospectiva.
Deus disse a Abraão que a sua descendência herdaria aquela terra. Entretanto, ele não tinha filhos e isso era sua grande preocupação (Gn.15). O Senhor lhe prometeu um descendente (Gn.15.4), mas os anos foram passando sem que a promessa se cumprisse.
Surgiu então a ideia de dar uma “ajuda para Deus”. Sara sugeriu que Abraão tivesse um filho com Agar, a escrava, de acordo com os costumes da época (Gn.16). O que é considerado normal nem sempre é o ideal para o servo de Deus.
Naquele momento, a ansiedade atropelou a fé. Nasceu Ismael. Entretanto, Deus falou novamente a Abraão, afirmando que o herdeiro seria filho de Sara. O plano de Deus não era apenas para Abraão, mas para a esposa também (Gn.17).
Ficava evidente então, que o filho Ismael não fazia parte do plano divino. Porém, Abraão intercedeu por ele e Deus atendeu dizendo que Ismael seria abençoado, mas a aliança do Senhor seria com Isaque (Gn.17.18-21).
É muito importante ser abençoado por Deus, mas é ainda melhor ter um compromisso com ele.
Pouco depois do nascimento de Isaque, começou o conflito. Ismael, com 13 anos de idade, zombava do bebê. Certamente, havia ali uma situação de ciúmes do filho da escrava em relação ao filho da esposa (Gn.21.5-14). Em seguida, Ismael foi expulso da casa de Abraão, juntamente com sua mãe, Agar.
Naquele dia, disse Sara: “O filho da escrava não herdará com Isaque” (Gn.21.10). Deus confirmou estas palavras.
De Ismael vieram os árabes (inclusive os palestinos). De Isaque vieram os judeus (Israel).
Isaque, embora tenha nascido depois de Ismael, tornou-se o único herdeiro de Abraão.
OS PALESTINOS
O nome Palestina vem de Filistia, terra dos filisteus, mas esse povo não existe mais. Os habitantes da palestina, chamados palestinos, são árabes.
Portanto, o que vemos naquela região é a briga de dois irmãos pela herança, pela posse da terra prometida.
Um fator complicador nessa história é que os judeus criaram o judaísmo e os árabes, o islamismo. Por isso, o conflito pela terra adquiriu aspecto de guerra religiosa, reforçada pelo fanatismo de muitos indivíduos.
HISTÓRIA DA OCUPAÇÃO DA TERRA SANTA
Embora Deus tenha prometido a terra a Abraão, a posse só seria alcançada pela sua descendência (At.7.5). Abraão gerou Isaque. Isaque gerou Jacó. Jacó gerou os 12 patriarcas.
A família cresceu e foi morar no Egito. Ali os descendentes de Abraão se multiplicaram, formando uma nação. Depois de 430 anos, o povo foi tirado do Egito por Moisés e conquistou a terra de Canaã sob a liderança de Josué, que expulsou grande parte dos cananeus.
Embora se levantem muitos questionamentos sobre tal expulsão, a justificativa bíblica é que os cananeus foram julgados e condenados por Deus por causa de seus pecados (Lv.18.24), pesando ainda nesse contexto a maldição proferida sobre os descendentes de Cão, filho de Noé (Gn.9.25).
Na época de Josué, começou a formação do Reino de Israel na terra prometida, mas os israelitas foram arrancados de lá alguns séculos mais tarde e levados cativos para a Assíria e Babilônia.
Cumprindo as promessas de Deus, o povo foi liberto e voltou para a sua terra. Passaram então os impérios da Babilônia, Pérsia, Grécia e veio o Império Romano.
Israel vivia sob o domínio de Roma quando Jesus veio ao mundo, mas os judeus, em geral, nunca se conformaram com o governo estrangeiro. Por isso, promoviam grandes revoltas de tempos em tempos. Por esta causa, os romanos destruíram a cidade de Jerusalém, matando milhares de judeus. Os sobreviventes foram expulsos da Palestina (Canaã) e dispersos pelo mundo no ano 135 d.C..
Nos séculos seguintes, vários povos se alternaram na posse da terra santa: bizantinos, árabes, cruzados cristãos e novamente os árabes (depois chamados palestinos). Aquela terra sempre foi cobiçada pelas nações. Jerusalém é, em certo sentido, o centro do mundo e das atenções. Ao fim da primeira guerra mundial, a palestina ficou sob o domínio da Grã-Bretanha.
Em meados do século XX, os judeus estavam espalhados por todo o mundo e constituíam, sob alguns pontos de vista, problema ou ameaça para as nações, assim como um dia sua presença no Egito foi considerada um risco para Faraó (Êx.1). Um povo espalhado pelo mundo pode desaparecer através da mistura com outros povos, mas os judeus não se misturaram. Além disso, cresciam, prosperavam e enriqueciam.
Aconteceu então, na Europa, o extermínio de 6 milhões de judeus, sob as ordens de Hitler. Ao final da segunda guerra mundial, foi criada a ONU, que passou a ser pressionada por vários países para providenciar um território para os judeus, de modo que eles pudessem viver em paz, livrando-se das perseguições que sofriam por toda parte. Na mesma época crescia o movimento sionista, que incentivava os judeus a retornarem à sua antiga terra.
Atendendo a tais pedidos, a ONU decidiu dividir a Palestina entre os judeus e os palestinos, ou seja, os árabes que ali residiam. Isso foi estabelecido na assembleia ocorrida em 1947, na qual o voto de desempate coube ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha.
Foi criado então o Estado de Israel naquela terra onde os judeus já haviam morado durante séculos. A promessa divina se cumpria mais uma vez. Os profetas do Antigo Testamento haviam anunciado, diversas vezes, que o povo de Deus seria espalhado pelo mundo, mas voltaria à sua terra (Dt.30.1-3 etc). Em 1948 isso aconteceu novamente, depois de quase 2000 anos de dispersão.
Bem, nem todos concordaram com a ONU e, imediatamente, 6 países árabes atacaram o recém-nascido Estado de Israel naquela que ficou conhecida com a Guerra da Independência de Israel (1948). Ao contrário do que se poderia supor, Israel venceu aquelas nações: Egito, Síria, Iraque, Jordânia, Arábia Saudita e Líbano.
Mais uma vez, Israel conquistava a terra prometida.
Restou aos palestinos aceitarem o território definido pela ONU, restringindo sua habitação à Cisjordânia e Faixa de Gaza.
Em 1967, os árabes atacaram os judeus novamente na Guerra dos 6 dias. Israel venceu outra vez e impôs seu governo sobre os territórios palestinos.
A partir de então, surgiram os chamados movimentos de libertação dos palestinos como a OLP de Yasser Arafat e os grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah, sendo este último sediado no Líbano.
Entre os conflitos posteriores, destacam-se as revoltas palestinas chamadas intifadas, ocorridas em 1987 e 2000.
Em 1993, os Estados Unidos promoveram o “acordo de paz de Oslo” entre judeus e palestinos, cujos representantes se reuniram em Washington. O líder judeu, Yitzhak Rabin, aceitou o estabelecimento de governo palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, motivo pelo qual foi assassinado em 1995 por um judeu radical.
Chegando a 2014, estamos assistindo a um novo combate entre judeus e palestinos, cujo estopim foi o sequestro e assassinato de 3 adolescentes judeus. Israel responsabilizou o Hamas pelo episódio e passou a bombardear a Faixa de Gaza, governada pelo grupo.
Nós “chegamos agora” e queremos tirar conclusões sobre um conflito que remonta a milênios. Podemos compreender, mas não resolver.
Existe chance de paz no Oriente Médio? Todo cessar-fogo é apenas uma pausa para se recarregarem as armas.
Alguém pode dizer: Que tal dividir a terra para que todos vivam em paz? Dividida já está. E o problema é justamente esse. Jerusalém está dividida entre judeus e árabes, mas todos querem a posse completa da cidade e jamais abrirão mão disso.
Muitos árabes sequer reconhecem o direito de existência de Israel. O grupo Hamas tem por objetivo destruir Israel. Eles não querem a paz. Querem o extermínio dos judeus.
Não existe solução à vista. Pra onde caminha tudo isso? Tudo converge para um cenário escatológico, cuja interpretação se mistura às especulações. Neste ponto, extrapolamos a história e avançamos rumo ao futuro, numa arriscada viagem nos escritos proféticos.
Uma das principais linhas teológicas neste assunto afirma que as guerras continuarão até que venha o Anticristo, o qual obterá destaque mundial por sua capacidade de estabelecer a paz (Dn.9.27). Então, haverá um período de tranquilidade, ou falsa paz (ITss.5.3), seguido por um tempo de convulsão internacional, culminando com a batalha do Armagedom. Naquele tempo, todas as nações se reunirão contra os judeus. Então, Deus providenciará o seu livramento (Ap.16.12-16 Zc.12.9).
Andar no terreno da escatologia é um exercício perigoso. Não podemos ser dogmáticos nessas interpretações, mas devemos ficar atentos.
Israel é o centro das atenções mundiais.
Alguém disse que “Israel é o relógio de Deus”. Parece que o horário está avançado.
POSTURA CRISTÃ
Qual deve ser a atitude do cristão diante dos conflitos no Oriente Médio? Não podemos ser contra Israel nem precisamos ser contra os palestinos. Não é questão de indefinição. O que determina nosso posicionamento é o evangelho de Jesus Cristo e, principalmente, o seu exemplo.
No encontro com a mulher samaritana, ele disse sem vacilar: a salvação vem dos judeus. Apesar disso, ele não rejeitou aquela mulher, mas lhe ofereceu a água viva. A salvação veio dos judeus, através de Cristo, para o benefício de todo aquele que crê, seja qual for sua raça ou nação.
A redenção é para todos. Nós, como igreja de Jesus, não temos papel político. O que devemos fazer é pregar o evangelho e orar, como disse Paulo:
“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens” (ITm.2.1).
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